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Mostrando postagens com o rĂłtulo Literatura Inglesa

Falando sobre Katherine Mansfield (e VirgĂ­nia Woolf)

Katherine Mansfield e VirgĂ­nia Woolf .    As minhas Ăşltimas leituras de 2016 foram todas de escritoras. Duas de minhas prediletas, aliás: VirgĂ­nia Woolf e Katherine Mansfield. Há mais coisas em comum as duas do que apenas o estilo: conheceram-se e foram amigas; trocaram correspondĂŞncias e crĂ­ticas sobre suas escritas. Em dado momento, VirgĂ­nia confessou: "Eu tinha inveja de sua escrita. A Ăşnica coisa que já invejei"; por outro lado, Katherine confessava: "Eu me sinto orgulhosa da escrita de VirgĂ­nia". Aos fĂŁs de VirgĂ­nia que ainda nĂŁo conhecem a prosa de Katherine, imaginem aĂ­ o peso de ter uma qualidade invejável por VirgĂ­nia Woolf. Entretanto, esta inveja nĂŁo era, para Woolf, imagino, uma forma de rivalidade: ambas tinham suficiente consciĂŞncia sobre as questões feministas que brotavam em suas Ă©pocas  - e em suas escritas - para nĂŁo caĂ­rem no jogo da rivalidade. Uma presava bastante a opiniĂŁo a outra: Antonio Bivar cita, no prefácio de O quarto de Jacob ...

Os anos, de Virginia Woolf, e O Prazer do Texto, de Roland Barthes

   Para Roland Barthes, em O Prazer do Texto, há uma diferença entre o texto de prazer e texto de fruição. O texto de prazer Ă© "aquele que contenta, enche, dá euforia; aquele que vem da cultura, nĂŁo rompe com ela, está ligado a uma prática confortável de leitura (BARTHES, 1996, p. 20-21). E o texto de fruição Ă© "aquele que põe em estado de perda, aquele que desconforta [...], faz vacilar as bases histĂłricas, culturais, psicolĂłgicas do leitor, a consistĂŞncia de seus gostos, de seus valores e de suas lembranças, faz entrar em crise sua relação com a linguagem". (BARTHES, 1996, p. 21).        Em Os Anos, que inicialmente durante sua criação tinha como tĂ­tulo The Pargiters, acompanha durante cinco dĂ©cadas (1880 a 1930) as transformações da famĂ­lia Pargiter. SĂŁo eles os personagens que irĂŁo sofrer as ações de cinquenta anos de um mundo que passará por guerra, por transformações  sociais e tecnolĂłgicas ( a partir dos anos que se seguem depois de 1900...

A morte em dois romances de Virginia Woolf

Mrs. Dalloway Ă© certamente a obra mais famosa de Virginia Woolf, e seu quarto romance, de 1925; Os Anos, seu nono e penĂşltimo romance, de 1937. Ambos trazem em sua construção o fluxo de consciĂŞncia, tĂ©cnica tambĂ©m pela qual VirgĂ­nia Ă© famosa. Atualmente, durante a escrita deste texto, estou lendo Os Anos. Diz-se ter sido o romance mais trabalhoso para VirgĂ­nia escrever. Enquanto em Mrs. Dalloway, acompanhamos um dia na vida de Clarissa Dalloway,  em Os Anos acompanhamos cinco dĂ©cadas na vida da famĂ­lia Pargiter. Ambos acompanham como foco narrativo a vida de mulheres. O tempo fragmentado Ă©, nos dois romances, tal como em todos os outros de VirgĂ­nia, o que impera. Um aspecto que trago aqui se refere Ă  Morte em uma passagem de cada um dos dois livros citados, e suas significações. NĂŁo menciono este elemento morte nos outros romances por nĂŁo encontrar as semelhanças que encontro nas duas passagens que irei citar de Mrs. Dalloway e Os Anos. Comecemos por Os Anos. Estamos ...